sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Confissões do latifúndio


Por onde passei,
plantei
a cerca farpada,
plantei a queimada.

Por onde passei,
plantei
a morte matada.

Por onde passei,
matei
a tribo calada,
a roça suada,
a terra esperada...

Por onde passei,
tendo tudo em lei,
eu plantei o nada.

Dom Pedro Casaldáliga

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Quem ainda sente, quem ainda sonha, acaba engolindo em seco, acaba segurando as lágrimas e fechando os pulsos. Prometemos a nós mesmos: por onde passar, plantarei a esperança!


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